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Abril Azul: Câmara dedica espaço para discussão sobre o autismo durante sessão

Abril Azul: Câmara dedica espaço para discussão sobre o autismo durante sessão

Nesta terça-feira, 02 de abril, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A Câmara Municipal é apoiadora da campanha e, durante todo o Abril Azul, manterá faixas e luzes nessa cor na fachada do prédio. Além disso, com o objetivo de chamar a atenção para o assunto, na sessão dessa segunda-feira (1º) foram convidados a falar na Tribuna a servidora da Casa, a contadora Elizângela Andrade Oaquim, que é mãe de um menino autista, e representantes da Associação dos Amigos do Autista - AMA.

Elizângela falou da experiência de sua família, encorajando pais a procurarem apoio e contando a importância do atendimento específico. "Sou mãe de um autista de oito anos e me sinto muito honrada de falar desse assunto", iniciou sua fala em Plenário. Após uma gestação tranquila, a servidora contou que com o passar do tempo começou a perceber diferenças no desenvolvimento do seu filho, Rafael, em relação a outras crianças. "Foi nesse sentido que procuramos um pediatra, ele falou que era preocupação de mãe de primeira viagem. Meu filho não falava, demorou muito para andar. Foi quando ele entrou na escola, por volta de três anos de idade, que uma psicóloga veio falar comigo a respeito e nos recomendou procurar um neuropediatra".

Ela disse que o diagnóstico foi um choque devido à falta de informações sobre o autismo. A família foi encaminhada para duas casas especializadas no Rio de Janeiro, onde moravam: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - Apae e Obra Social Dona Meca. "A Apae nos incentivou, me mostrou muito mais do que eu poderia ver como uma leiga, que aquilo era um simples problema diante da grande evolução que o Rafael poderia ter", contou.

Para Elizângela, a terapia foi um divisor de água na vida e evolução do  Rafael: "cada conquista era de uma alegria tão grande, ver meu filho pela primeira vez, aos oito anos, me chamar de mãe, porque ele não falava até então. Vi que tudo que a gente tinha feito, todo nosso esforço e o dele também, valeu a pena. Queria muito incentivar os pais para que busquem apoio, não fiquem com medo. Peço também aos órgãos públicos que dêem uma atenção a essa causa - através de leis, incentivo financeiro, para poder apoiar essas entidades que são tão importantes para os pais também, e que precisam de treinamento do pessoal para o diagnóstico precoce, que precisam pagar suas contas". A contadora relatou que, antes de conseguir atendimento na Apae, aguardou na fila durante um ano e meio. Ela encerrou agradecendo o acolhimento recebido pela Apae em São Sebastião do Paraíso e pela Associação de Amigos do Autista - AMA.

Os vereadores agradeceram o depoimento de Elizângela, ressaltando seu profissionalismo na Câmara. Para Cidinha Cerize (PSDB), "o primeiro passo é esse: conscientização de que existe o autismo, a informação aos pais para que possam precocemente procurar ajuda dos multiprofissionais que fazem total diferença no desenvolvimento. Tenho elaborado um Projeto de Lei, não conclusivo porque eu ainda vou falar com algumas pessoas para entender se esse projeto contempla a real necessidade do município. Fico muito feliz que essa Casa abraçou essa causa e espero que em breve a gente possa trazer para a comunidade uma legislação que contemple as necessidades das crianças e também desses pais".

O vereador Sérgio Gomes (PSD), por sua vez, lembrou que a celebração no dia 02 de abril foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU). "Aqui em São Sebastião do Paraíso eu acompanho o trabalho que é feito, que é realmente enaltecedor e temos obrigação de apoiar em todos os sentidos. Fiquei muito feliz porque muitas pessoas, no Fórum, me perguntaram o que eram as faixas azuis na Câmara, foi uma oportunidade de falar do assunto. É uma iniciativa que é um marco para a nossa instituição".

 

 

 

Associação dos Amigos do Autista - AMA

Complementando a fala anterior e as discussões sobre o tema, usaram a Tribuna o diretor da AMA João Bosco Pimenta Pedroso e a professora Márcia Pádua. João disse que "a AMA leva os trabalhos com bastante dificuldade desde 1990, quando iniciou suas atividades, sempre de forma filantrópica. Ela atende hoje cerca de 39 autistas, com quase 20 empregados e tem um déficit de quase R$10 mil por mês em relação ao que arrecada de doações e ao que tem de custo fixo".

Atualmente, a instituição precisa não somente de apoio financeiro mas também de voluntários, principalmente na área de assistência social. A professora Márcia Pádua falou sobre a equipe da AMA, que hoje possui dois professores cedidos pela Prefeitura, três pelo Estado de Minas Gerais, e os demais funcionários são mantidos pela própria entidade, entre professores, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e psicóloga.

Ela contou ainda como é o trabalho desenvolvido, destacando que o atendimento é feito a toda a região, incluindo alunos de São Tomás de Aquino, Fortaleza de Minas, Passos, São Batista do Glória, Monte Santo de Minas e Jacuí. "A AMA trabalha com planejamento funcional, tentamos inserir o autista com autonomia na sociedade. Temos vários projetos internos: de cozinha, de arte, de horta, de bandinha. Tenho muito orgulho porque a única instituição que atende diretamente o autista em Minas Gerais é a nossa casa. É uma coisa nossa, vamos cuidar daquilo que é nosso".

João Bosco encerrou: "sou irmão de um autista e a AMA foi fundada pela minha mãe, Cida Pimenta, que já ocupou uma cadeira na Câmara como vocês ocupam, então é bastante gratificante poder falar disso. Agradeço muito a oportunidade de vocês. Temos uma grande fila de espera e só não podemos atender mais devido à falta de recursos".

Um requerimento proposto pela vereadora Cidinha Cerize (PSDB) foi aprovado em Plenário para o envio de ofício à Prefeitura, em nome da Câmara, solicitando do Executivo uma nova proposta de apoio à AMA, novamente cedendo à instituição os profissionais de assistência social e nutrição.

 

 

 

Semana do Autismo

A Semana do Autismo será comemorada com uma série de eventos. Na quinta-feira (4), será realizado o evento "Autismo: Encontro sobre inclusão e direito da pessoa com deficiência", a partir das 19h30, na Faculdade Libertas. Palestrarão o psicólogo Caio César Rodrigues Toledo, que falará sobre o autismo e seus desafios na inclusão social e educacional, e a advogada Viviane Cristina de Souza Limongi, abordando a capacidade civil e o Estatuto da Pessoa com Deficiência. Mais informações: 3531-3900.

Já no sábado (6), ocorrerá a quarta edição da Caminhada do Autismo, que reunirá autistas e familiares a partir das 9h, na Praça da Matriz. A caminhada começará às 10h com destino à Praça da Fonte. As camisetas do evento poderão ser adquiridas por R$20 na sede da AMA ou no dia da caminhada.

A Associação de Amigos do Autista está localizada na Rua Luís Lovo, número 20, bairro Verona. O horário de funcionamento é de 13h a 17h. Para saber mais informações sobre como ajudar, o telefone é 3531-4788.

 

Fonte: http://www.camarassparaiso.mg.gov.br/mostra-aconteceu.php?s=abril-azul-camara-dedica-espaco-para-discussao-sobre-o-autismo-durante-sessao